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Buftalmia: compreender a relação com o Glaucoma Congénito e a Importância do Diagnóstico Precoce

Buftalmia: compreender a relação com o Glaucoma Congénito e a Importância do Diagnóstico Precoce

A saúde ocular é fundamental para a qualidade de vida, permitindo-nos não só ver o mundo à nossa volta, mas também interagir com ele de forma plena. Entre as diversas patologias que podem afetar a nossa visão, o glaucoma é uma das mais insidiosas, dada a sua capacidade de se desenvolver silenciosamente e causar danos irreparáveis. No entanto, quando falamos em glaucoma, é essencial distinguir as suas variantes, particularmente o glaucoma congénito, uma forma da doença que ocorre em bebés e crianças pequenas. Esta forma de glaucoma tem uma complicação ou manifestação associada que é crucial reconhecer: a buftalmia.

O que é a Buftalmia?

A buftalmia, frequentemente descrita como “olho de boi”, é uma alteração ocular que se manifesta pelo crescimento aumentado e anormal do globo ocular. Esta patologia é, na sua maioria, uma consequência directa do glaucoma congénito.

A relação entre a buftalmia e o glaucoma congénito é intrínseca. O glaucoma congénito desenvolve-se devido a um defeito no sistema de drenagem do humor aquoso – o líquido presente dentro do olho. Quando este líquido não é adequadamente drenado, leva a um aumento da pressão intraocular. Em crianças, devido à elasticidade e flexibilidade das paredes oculares, esta pressão exacerbada causa a expansão do globo ocular, resultando na buftalmia. É uma manifestação preocupante e visualmente evidente da doença subjacente, que exige atenção médica imediata.

Causas

O glaucoma congénito é uma patologia que se manifesta em bebés e crianças até aos três anos de idade, surgindo devido a irregularidades no sistema de drenagem do humor aquoso. Esta substância líquida, presente no interior do olho, tem um papel crucial na manutenção da forma e pressão intraocular. No glaucoma congénito, o defeito no sistema de drenagem impede a saída adequada deste líquido, o que resulta num aumento da pressão intraocular.

Este incremento de pressão é particularmente problemático na infância. Durante esta fase de desenvolvimento, as estruturas oculares são mais flexíveis e maleáveis. No contexto do glaucoma congénito, isto significa que as paredes oculares podem expandir-se em resposta à pressão intraocular elevada. Esta expansão é precisamente o que dá origem à buftalmia.

Diferentemente dos adultos, em que um aumento da pressão intraocular afeta predominantemente o nervo óptico, em crianças, esta elevação de pressão tem repercussões em toda a estrutura ocular. A consequência mais notória é a distensão das paredes do olho. Estas, por serem mais flexíveis durante a infância, expandem-se, dando ao olho uma aparência dilatada e proeminente, frequentemente descrita como “olho de boi”. Esta é a manifestação clínica da buftalmia, que, para além das implicações estéticas, representa um sinal de alerta para danos oculares potencialmente graves e que necessitam de intervenção médica e ou cirúrgica rápida e especializada.

Diagnóstico

O diagnóstico atempado e preciso é fundamental no contexto das patologias oculares, especialmente quando se tratam de condições que afetam os mais jovens. A buftalmia, sendo uma manifestação clínica do glaucoma congénito, requer uma detecção precoce para assegurar uma abordagem terapêutica eficaz e evitar complicações a longo prazo.

As manifestações clínicas da buftalmia são notórias. O aumento proeminente do tamanho do globo ocular, dando-lhe uma aparência “esbugalhada”, é muitas vezes o primeiro sinal de alerta para os pais ou cuidadores. No entanto, embora esta alteração possa ser evidente a olho nu, é de extrema importância que se recorra a um especialista para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da condição.

O processo diagnóstico inicia-se com um exame clínico detalhado, onde o oftalmologista avaliará o tamanho e a forma do olho, assim como outros sinais associados, como a opacidade da córnea ou a presença de lacrimejo excessivo. Instrumentos especializados poderão ser utilizados para medir a pressão intraocular e avaliar a integridade do nervo óptico.

O papel do oftalmologista pediátrico é crucial neste processo. Este especialista está não só habilitado a interpretar os sinais clínicos apresentados por crianças, como possui o treino adequado para lidar com os mais jovens, assegurando que o processo diagnóstico é o menos invasivo e stressante possível para a criança e sua família.

Em casos suspeitos de buftalmia, é vital que os pais ou cuidadores procurem atenção médica imediatamente. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais eficaz será o tratamento e melhores serão as perspectivas a longo prazo para a saúde visual da criança.

Tratamento

A buftalmia, apesar de ser uma condição preocupante à primeira vista, apresenta possibilidades de tratamento, especialmente quando diagnosticado precocemente. Uma das principais abordagens terapêuticas para esta condição é a intervenção cirúrgica, que visa tanto aliviar a pressão intraocular como tratar as causas subjacentes.

A goniotomia é uma das técnicas cirúrgicas mais utilizadas no tratamento do glaucoma congénito. Esta intervenção consiste na libertação/abertura do ângulo de drenagem do olho de possíveis obstruções, permitindo que o humor aquoso seja adequadamente drenado e, consequentemente, reduzindo a pressão dentro do olho. A técnica é minimamente invasiva e tem como principal objetivo preservar a integridade estrutural do olho.

A trabeculectomia, por outro lado, é um procedimento mais complexo utilizado em casos mais graves ou quando a goniotomia não é viável ou eficaz. Durante esta cirurgia, é feita uma incisão/abertura na esclera, criando uma espécie de “válvula” que permita a drenagem controlada do humor aquoso, diminuindo assim a pressão intraocular.

Após qualquer procedimento cirúrgico, é de extrema importância o acompanhamento regular pelo oftalmologista. Monitorizar a pressão intraocular e avaliar a saúde global do olho são passos cruciais para garantir que não ocorram complicações e que a criança mantenha uma visão saudável.

Conclusão

A saúde ocular é uma componente vital do bem-estar geral, especialmente em crianças. O glaucoma congénito e a buftalmia, apesar de serem condições graves, têm tratamento. O mais importante é a detecção precoce e o recurso a especialistas na área. Com o diagnóstico atempado e um tratamento adequado, as perspectivas de uma visão saudável são muito positivas.

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